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PSDB falou para o Centrão: eu sou você amanhã

O sinal amarelo já acendeu. Foi uma reação muito rápida do Centrão, que já começa a descolar reconhecendo a eleição de Lula e formando bloco para reeleição dos atuais presidentes da Câmara e do Senado

Edição: 539
Data da Publicação: 30/10/2026

O Centrão passou os últimos anos ajudando a extrema direita a enfraquecer o governo Lula, inclusive travando pautas de interesse do governo, como, por exemplo, o fim da escala 6x1, a reforma tributária e a isenção do Imposto de Renda, porém, agora, descobriu que estava ajudando a extrema direita a engolir o próprio Centrão.

Quem ganhou

Bem, os números dessa eleição são impressionantes. Na Câmara dos Deputados, em 2022, o Partido Liberal elegeu 99 deputados e, agora, eles elegeram 121 deputados federais, ou seja, ganharam 22 cadeiras.

Quem perdeu

Enquanto isso, o União Brasil e PP, que tinham elegido juntos 106 deputados, terão 87, somando União Brasil, PSD de MDB e Republicanos. Esse grupo perdeu 23 cadeiras; o PL sozinho ganhou 22. É quase uma troca de cadeiras.

Perder 22 cadeiras na Câmara Federal não é apenas um número, é perda de poder, menos Fundo Partidário, são menos emendas parlamentares Brasil afora. Não é pouca coisa.

No Senado

No Senado Federal, o negócio foi ainda mais brutal: o PL terá 28 senadores, é a maior bancada de início de legislatura desde a constituição de 1988. Enquanto isso, o PSD, que começou esta legislatura com 15 senadores, a ficar com apenas 5. E olha a ironia dessa história... Quem ajudou a extrema direita a ganhar a força dentro do congresso? Isso mesmo, foi o Centrão.

Quando a urgência da anistia foi aprovada com 311 votos favoráveis, sabe quantos vieram do PL? Agora, pega União Brasil e o MDB, esses partidos todos juntos deram 181 votos, mais da metade dos votos que abriram caminho para anistia veio desses partidos. Depois, eles voltaram a se juntar ao PL, para aprovar a redução das penas dos condenados e derrubar o veto do Lula. E não foi só isso. Na derrubada dos decretos do IOF, por exemplo, a Câmara impôs uma derrota ao governo por 383 votos a 98. PP, União Brasil, Republicanos e MDB votaram maciçamente contra Lula, uma estratégia que parecia genial: usar a extrema-direita para pressionar o governo, enfraquecer Lula, aumentar o próprio poder de negociação e, depois, vida que segue.

Só que se esqueceram de combinar isso com o eleitor, porque, enquanto o Centrão ajudava a transformar a agenda bolsonarista em maioria no congresso, o eleitor da direita começou a pensar: se eu quero essa agenda, por que eu vou votar no intermediário? Uma pergunta simples e foi direto no original.

Em 2018, o PSDB achava que mandava

A direita brasileira já viu esse filme. Em 2018, o PSDB também achava que ainda comandava esse campo. Geraldo Alckmin tinha uma coligação de nove partidos, uma máquina partidária gigantesca, e terminou a eleição presidencial daquele ano com 4,7% dos votos. Enquanto isso, Bolsonaro atropelou os tucanos e transformou o então nanico PSL numa bancada de 52 deputados. O PSDB descobriu, em 2018, que havia perdido para o bolsonarismo o posto de principal força da centro-direita brasileira.

Oito anos depois, parece que parte do Centrão resolveu aprender a mesma lição, e tem mais, porque não foi só o Centrão que tomou uma surra. A famosa terceira via desapareceu, aquela turma que tinha Caiado, Zema (que é um extremista) e Augusto Curry. Soma todos eles e não chegam a 8% dos votos válidos.

Lula e Flávio Bolsonaro concentraram cerca de 92% dos votos, ou seja, a eleição deixou uma mensagem bastante dura para quem imagina existir um enorme eleitorado esperando a uma alternativa entre os dois polos. Existiu até mesmo comentarista político dizendo que há um grande contingente de eleitores para votar na terceira via, mas que, mesmo assim, ela não decola. Que loucura, hein! Esse eleitorado simplesmente não apareceu, e, aí, talvez esteja a maior mudança desta eleição: a extrema direita não avançou apenas contra a esquerda, avançou sobre a própria direita.

Primeiro, o bolsonarismo tomou do PSDB o comando da direita brasileira. Agora, avançou sobre o Centrão, esmagou a terceira via e transformou o PL no centro gravitacional desse grupo político.

O Centrão acreditou que poderia montar nas costas do bolsarismo para pressionar Lula, só não percebeu que estava carregando quem queria tomar o seu lugar e, depois do que aconteceu com o PSDB, e, agora, com o Centrão, fica a pergunta: ainda existe espaço eleitoral para uma direita não bolsonarista no Brasil? Quero ouvir a sua opinião.

 

Fonte ICL